
Comunidade denuncia que Lagoa de Extremoz está contaminada

Geraldo Moura, do movimento de voluntáios:
denúncia de contaminação Diretor do Idema, Fábio Góis: há fiscalização
Silvana Greici
Da Redação
A Lagoa de Extremoz, na Região Metropolitana de Natal, poderia ser um dos mais bonitos cartões postais do Rio Grande do Norte se fosse bem preservada pelas pessoas e principalmente pelos órgãos públicos. Mas a falta de cuidados e de interesse das autoridades está matando a lagoa pelo abandono, aterramento em decorrência da especulação imobiliária e até pela contaminação.
Um grupo de voluntários preocupados com a questão e revoltados com tal situação resolveu tomar a frente e conseguiu marcar para o final do mês de junho uma audiência pública na Câmara Municipal de Extremoz para discutir os problemas relacionados à Lagoa de Extremoz.
De acordo com Geraldo Moura, membro da entidade Voluntários em Defesa da Comunidade de Extremoz (Vedac), a Lagoa de Extremoz está contaminada. Segundo explicou, foi feito um aterramento em toda margem e com isso a água está poluída. "O problema é antigo e nenhuma autoridade nunca se preocupou com isso", afirmou Geraldo.
A situação é revoltante e grave para os moradores das regiões circunvizinhas, como os residentes não só no município de Extremoz, mas também os moradores de São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim e grande parte da comunidade da Zona Norte de Natal.
"Mais de 70% da população da Zona Norte consome a água da Lagoa de Extremoz que está contaminada. E aí, o que fazer? Quem vai assumir essa responsabilidade? A quem compete? À Caern? Ao Instituto de Desenvolvimento Econômico do Meio Ambiente (Idema)? Ou Ministério Público?", questiona, revoltado, Geraldo Moura.
A Lagoa de Extremoz está localizada na divisa entre os municípios de Extremoz e São Gonçalo do Amarante. Mas nenhum desses municípios, segundo Geraldo Moura, quer assumir a responsabilidade da gravidade do problema.
Para a audiência pública foram convidados os prefeitos dos municípios de Extremoz, São Gonçalo e Ceará Mirim, assim como os vereadores dessas cidades, além de representantes do Idema, Ibama, Caern, Ministério Público e a comunidade em geral.
Na opinião de Geraldo Moura, o problema é antigo, porém de fácil solução. "Só depende dos órgãos públicos se interessarem pela questão e solucioná-la. A gravidade do problema será a pauta prioritária da audiência pública. Queremos saber como conter novas concessões que possam comprometer a preservação do manancial que está comprometendo toda a Lagoa de Extremoz", disse.
De acordo com o voluntário, o manancial está com água suja, esverdeada, prejudicando toda a população, já que animais tomam banho no local. Geraldo afirma que grande parte da Lagoa de Extremoz está fechada para que ninguém tenha acesso, pois segundo ele, quem se aproximar corre perigo de vida.
A sugestão dos voluntários do Vedac é que seja feito um estudo que possa viabilizar o controle da água da Lagoa de Extremoz. "Temos que cobrar mais esse ano que é ano de política, ano das promessas", disse Geraldo, lembrando que após a audiência pública que será realizada no final deste mês de junho, os voluntários vão marcar uma outra audiência, dessa vez com alguns dos deputados que compõem a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte.
A reportagem do Jornal Metropolitano tentou por diversas vezes entrar em contato com a Promotoria Pública do município de Extremoz, para que possa obter maiores esclarecimentos. Mas a titular da Comarca, a promotora Ethel Francisca, está de férias e a sua substituta, Ana Patrícia, não foi localizada para falar sobre o assunto.
Diretor do Idema diz que há
uma proposta de enquadramento da lagoa
O diretor técnico do Idema Fábio Góis, disse à nossa reportagem que o Idema detém as fiscalizações normais que são feitas nas lagoas, inclusive na bacia hidrográfica do rio doce, onde está inserida a Lagoa de Extremoz.
Segundo Fábio Góis, está sendo feita uma proposta de enquadramento da bacia. Esse trabalho é uma parceria do Idema, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através do Departamento de Geologia, e a Funpec.
"Quando falamos em enquadramento, queremos dizer que serão realizadas as ações de monitoramento de todos os estudos relativos à água, solo, aumento e diminuição do volume da água e poluição”. disse Fábio.
“Esse relatório está sendo feito pelo professor Geraldo Melo, do Departamento de Geologia. Com os dados em mãos será feito o encaminhamento legal para a adequação a legislação, porque nós sabemos que nem toda lagoa é igual, todo açude não é igual e assim por diante. O relatório deverá ser entregue até o final de julho", acrescentou Fábio Góis.
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