
Impecável estratégia do Pelegão
São
muitos os carreiristas que estão quebrando a cara na campanha
eleitoral deste ano. O exemplo mais do que perfeito disto é
o ex-comunista Agnelo Queiroz, que abandonou o PC do B e se bandeou
para o lulismo-petismo. Ele sonhava em ser governador de Brasília
e contava com o apoio de Lula da Silva, que não está
valendo em lugar nenhum.
Os caroneiros eleitorais se decepcionam nos principais centros urbanos,
exceto em São Paulo, capital, onde Marta Suplicy apresenta
uma boa performance, embora tudo indique que perderá de lavagem
o segundo turno. Em Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Fortaleza
e Belém, os governistas estão por baixo. No caso mineiro,
é incrível, o governador Aécio Neves, com aprovação
de 80% nas pesquisas e Lula da Silva com popularidade nunca dantes
vista neste país, estão perdendo para a candidata
do PC do B, cujo diretório mineiro é refratário
à pelegagem.
No Norte e no Centro-Oeste, apesar do forte encabrestamento oficial,
nenhum candidato governista vai bem das pernas; e dos nove governadores
do Nordeste apenas dois vêem seus preferidos numa boa; os
demais amargam perspectivas derrotistas. Estão em pior situação
os que cederam às imposições petistas. Reforçando
as projeções negativas do governismo, onde o PC do
B, o PSB e o PMDB são insubmissos ao comando lulista-petista,
colocam-se em posição eleitoral privilegiada. Recife
e Porto Alegre são modelos disto.
Com sua extraordinária perspicácia, assentada na experiência
sindicalista, Lula da Silva traçou uma impecável estratégia
restringindo a participação da ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff, e do ministro de Relações Institucionais,
José Múcio, à campanha em seus estados.
Prescreveu também para os ministros políticos (indicados
por partidos aliados) evitar conflitos com outros aliados ao participarem
das campanhas eleitorais onde a base está dividida.
Além disso, Lula usa com habilidade a mídia afirmando
que não subirá nos palanques. A idéia é
convencer a opinião pública de que ficará distante
da campanha, traçando para si o perfil de magistrado. Embora
fingida, é uma atitude que conquista assim a simpatia da
base aliada.
Como se vê é uma tática muito bem executada
porque se apoiar alguém e este alguém perder, a derrota
será sua; se o alguém ganhar, a vitória é
dele...
No plano estratégico geral, registre-se o esfriamento do
nome de Dilma Roussef, apelidada de "mãe do PAC",
e demonstrando a atração do Presidente e seu desejo
de fazê-la sucessora. Pode ser o fracasso anunciado do PAC,
como querem alguns, mas poderá simplesmente auto-preservação,
fugindo a compromissos.
Assim, a blindagem levantada em torno de Sua Excelência para
resguardá-lo dos escândalos que envolveram companheiros,
familiares e membros do partido e do governo, entra no planejamento
para colocá-lo acima das disputas nos pleitos municipais.
Para um bom observador, a estratégia do Pelegão é
clara como água de fonte montanhosa: abandonou os planos
da pelegagem para um terceiro mandato e se prepara para disputar
as eleições presidenciais de 2014. E se tudo sair
como quer, será um candidato fortíssimo.
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