gelada, que entre um banho de mar e outro ajuda a refrescar o calor.
O velho prazer de "matar" a sede com a bebida só
poderá ser mantido, caso o condutor do veículo tenha
um motorista extra para levar o carro de volta para casa no final
da tarde. E com isso os barraqueiros estão com as mãos
na cabeça, sem saber o que fazer. É que, de acordo
com a Polícia Rodoviária Estadual, a Rota do Sol é
um dos roteiros já estabelecidos para fiscalização
por conta dos constantes acidentes de veículos, que ocorrem
geralmente por problemas de embriaguez dos motoristas que por ali
trafegam. O pelotão de trânsito já vem realizando
blitze aos domingos, a partir das 14 horas. Como dificilmente alguém
vai interromper o passeio antes disso, vai ficar complicado tanto
para os clientes, quanto para os comerciantes. Para o comandante
da Polícia Rodoviária Estadual (CPRE), coronel José
Humberto de Lima, a fiscalização vai acontecer no
local e horário que for decidida a real necessidade da operação.
"A cultura do nosso povo não vai mudar, a lei não
proíbe ninguém de beber e sim de dirigir sob efeito
do álcool, um dos causadores de acidentes no trânsito",
completou o coronel. O proprietário de uma barraca localizada
na praia de Pirangi, Severino Souza reconhece a necessidade da fiscalização,
mas lamenta não apenas pelos barraqueiros.
Para Souza, todo estabelecimento que comercializa bebida alcoólica
está passando por fortes mudanças. "Sou a favor
da lei, mas a quantidade de consumo permitida é muito pouca,
com certeza no verão vamos passar por dificuldades".
O professor paraibano Carlos Caju reconhece a importância
da determinação, mas diz que se trata de uma medida
muito severa. "Eu tenho 41 anos, dirijo há 20 e nunca
me envolvi em acidente algum. Moro aqui em João Pessoa e
no verão se quiser beber uma cerveja não vou poder
fazer isso na praia.
Reconheço que tem muita gente irresponsável, mas com
o calor das cidades nordestinas vai ficar impraticável sair
e tomar apenas refrigerante ou água", desabafa.
O advogado Antônio Gaudêncio, diz que a lei além
de modificar o comportamento das pessoas, marginaliza a população
que é forçada a criar uma prova contra si mesma.
"É uma medida necessária que está reduzindo
a quantidade de acidentes, mas deve ser aplicada de outra forma.
Se o condutor se envolve em algum acidente ou faz uma manobra perigosa,
este sim deve ser submetido a um exame de sangue para verificar
se está sob efeito de álcool e se for o caso, penalizado".
Segundo Gaudêncio, a partir da Lei Seca, todos têm tendência
a ser réu.
"Um copo de cerveja não vai ser o causador de acidentes.
Quem é que vai para uma comemoração, em família
que seja, e não vai beber um copo de vinho?" questiona
o advogado. Completou, "um costume não pode ser modificado
de uma hora para outra". É evidente, disse o advogado,
que os barraqueiros vão ter no verão um quadro reduzido
de clientes por conta da nova medida.
"Esses profissionais terão de encontrar uma alternativa
para não sofrer tanto com a lei”, ressaltou. |