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“Micarla tem um mandato pífio na Assembléia
e Fátima votou contra
os aposentados”
Sandro
Pimentel, candidato pelo PSOL, acredita que pode
chegar ao segundo turno
Roberto
Campello
Reporter
Graduando
em Gestão Pública pela UFRN, servidor técnico-administrativo
e Dirigente Sindical, o candidato a Prefeitura de Natal pelo PSOL,
Sandro Pimentel recebeu a equipe de reportagem do Jornal Metropolitano
na sede do partido.
Morador da Zona Norte há vinte anos, Sandro Pimentel disputou
o cargo de deputado estadual em 2002 pelo PT, de governador em 2006,
pelo PSOL e agora, pela primeira vez disputa a Prefeitura de Natal.
Na entrevista ele falou um pouco sobre as suas propostas para Natal,
disse que fará a campanha mais propositiva dessa eleição,
mas que também fará criticas às deputadas Micarla
de Sousa (PV) e Fátima Bezerra (PT).
Confira abaixo a entrevista completa com o candidato.
Jornal
Metropolitano: Por que se candidatar a Prefeitura de Natal?
Sandro Pimentel: Esse ano vejo que população quer
mudança. Fico feliz porque a população está
começando a entender o propósito de uma eleição,
qual o papel de um candidato. Estamos vendo que a mudança
no Brasil acontece. Então decidimos disputar a Prefeitura
de Natal porque sou cidadão, pago meus impostos, também
sou do serviço público, eu também me sinto
enganado, roubado, traído, corrompido, pelo políticos
que ai estão, então nós nos colocamos a disposição
para mostrar para o povo da cidade que o PSOL é uma alternativa
diferente, é um partido de esquerda, tem propostas, tem programas
de governo, tem cara, tem coragem, tem vergonha na cara e amor no
coração. Embora tenhamos dificuldades, não
tenho dúvidas que será a candidatura mais propositiva
desse pleito. Nessa eleição, a gente tem duas opções,
ou vamos colocar o dedo na ferida e dizer a podridão que
está, ou vai apresentar as propostas. Então nós
vamos optar por apresentar proposta, pretendemos apresentar cinqüenta
propostas durante o programa inteiro.
JM: A ex-senadora Heloísa Hele-na virá a Natal?
Sandro Pimentel: Ela vai estar participando dos nossos programas
eleitorais, ela já mandou o vídeo gravado, e a gente
está tentando ver se consegue trazê-la. Mas nós
como dirigentes nacionais, vamos dá prioridade à eleição
dela em Maceió, de Luciana Genro em Porto Alegre, Chico Alencar
no Rio de Janeiro e Ivan Valente em São Paulo. Se sobrar
espaço para as outras capitais, ela virá. Caso ela
venha vamos fazer uma grande carreta, logo após o primeiro
debate de televisão, pois estamos com sede de debate.
JM: A sua campanha não tem a mesma estrutura das demais.
O senhor acredita que isso possa te prejudicar?
Sandro Pimentel: Claro que pode. Pode, porque infelizmente no Brasil
muita gente ainda tem a consciência de que vai votar em quem
ganha, a gente ouve muito isso. Isso impressiona as pessoas. Se
faz uma carreata, com vários cabos eleitorais comprados,
um monte de meninas jovens ganhando quinze reais, passando o dia
segurando bandeiras, tanto de um lado, quanto de outro. Mas a gente
não tem essa estrutura para pagar e mesmo que tivesse não
pagaria, porque é errado. Toda essa estrutura impressiona
as pessoas, e pode levar o eleitor, psicologicamente e indiretamente,
a votar na pessoa por entender que ela vá ganhar a eleição,
mas ganhar eleitoralmente e perder socialmente.
JM: O que o senhor pretende fazer para suprir essa diferença?
Sandro Pimentel: Nós já estamos fazendo. Nós
fomos à primeira candidatura a colocar o bloco na rua. Todos
os dias nós temos atividades, pé no chão, fazendo
caminhadas, andando de casa em casa. Não atraímos
uma multidão, conosco vem meia dúzia de pessoas. Se
eu quisesse colocar multidão e tivesse dinheiro para isso
eu colocaria. Pra oferecer 15 reais aparecem mil pessoas segurando
bandeiras e dizendo que vota em mim. Mas não, vamos de casa
em casa com o nosso humilde carro de som, tocando nosso jingle e
conversando com as pessoas.
JM: O PSOL é oposição em nível federal,
estadual e municipal. Como ele vai se comportar nessas eleições
em Natal?
Sando Pimentel: Nós somos oposição, então
nós vamos fazer críticas duras e pesadas, mas sem
dar muita ênfase e sem gastar muito tempo com isso. A gente
vai querer ser mais propositivo, mas nós vamos dizer que
certa deputada não apresenta projeto nenhum na Assembléia
Legislativa, tem um mandato pífio, um mandato pífio
como vice-prefeita, que instalou a vice-prefeitura na Zona Norte
e não colocou nem o pé por lá e a população
reclama disso. Vou mostrar que a outra votou contra os aposentados,
contra os velhinhos na reforma da previdência, que votou contra
o salário mínimo duas vezes, que tá comendo
no prato que sempre cuspiu que quem antes era corrupto, demônio,
agora não é mais. Então são essas coisas
que vamos mostrar, e não tem como não mostrar, mas
vamos dá mais ênfase as propostas.
JM: Como o senhor analisa o momento atual da política norte-rio-grandense?
Sandro Pimentel: É vergonhosíssimo. É vergonhoso
e deseducador. Porque quem sempre acompanhou a política lembra
que o PT sequer aceitava fazer alianças com outros partidos.
Wilma no mesmo palanque nem pensar. Os Alves? Esses ai eram demônios.
Tudo isso deseduca as pessoas que vão dizer e agora? Eu não
to entendendo mais nada. Isso embanana a cabeça das pessoas.
Quem tinha um discurso ontem, tem outro discurso hoje. É
por isso que nós mantemos o mesmo discurso, e fomos expulsos
do PT por causa disso. O PV, por exemplo, no escândalo da
Operação Impacto tem todos os vereadores envolvido
e nenhum expulso. Na verdade, fomos bastante beneficiados com isso,
pois teremos votos de pessoas de todos os partidos que não
aceitam e nem concordam com esses acórdões que visam
troca de favores políticos, visando às eleições
de 2010.
JM: Porque formar uma chapa puro-sangue?
Sandro Pimentel: As alianças de partidos de esquerda são
diferentes das alianças da direita. As alianças que
acontecem na direita, são alianças que possam trazer
benefícios pessoais, políticos. Já as nossas
alianças são diferentes, são alianças
programáticas. Nós conversamos dezenas de vezes com
o PSTU e o PCB para discutir programas. A nossa idéia era
fazer uma aliança no campo da esquerda, repetir a frente
de esquerda de 2006, mas não foi possível, simplesmente
porque os partidos tiraram nacionalmente diretrizes de estarem lançando
candidaturas próprias. Isso enfraquece a esquerda, não
tenho dúvida nenhuma disso, mas cada partido tem o direito
de lançar candidatos. O que foi inesperado para mim foi o
PCB se unir ao projeto do acórdão em Natal, já
que ele tem uma historia de luta.
JM: Quais são as suas principais propostas para Natal?
Sandro Pimentel: Principais são difíceis, mas nós
queremos minimizar o problema do trânsito em Natal, que é
um caos na cidade e nós temos propostas de criar o metrô
de superfície, que nada mais é que um ônibus
triarticulado, e isso vai desafogar muito o trânsito. Nas
principais vias estruturais, principalmente na Avenida Bernardo
Vieira que está pronta para colocar o metrô, não
precisa fazer mais nada. O prefeito Carlos Eduardo fez um baita
investimento, para a Bernardo Vieira ficar do mesmo jeito, e em
certos pontos até pior. Queremos transformar os "fornos
microondas" de Natal, em verdadeiras estações
de transferência, porque do jeito que está é
um desrespeito com a população. Queremos também
incentivar o transporte coletivo, não só com os metrôs
de superfícies, mas também com os trens. Outra prioridade
é a questão ambiental, Natal já foi a capital
mais arborizada do Brasil, hoje é a última do ranking
nacional e isso é uma vergonha, porque a Prefeitura autoriza
tirar arvores da frente de qualquer estabelecimento, a Bernardo
Vieira foi um bom exemplo disso. Outra proposta que queremos implantar
é a descentralização da Unicat, na nossa administração
os postos de saúde vão funcionar com farmacêuticos,
constantemente. A população poderá ter acesso
a esses medicamentos no próprio posto de saúde. Queremos
implantar o primeiro Centro de Saúde de apoio a idoso. Depois,
pretendemos fazer um trabalho de combate a corrupção,
porque com corrupção não tem dinheiro para
nada. O combate a corrupção vai fazer com que o dinheiro
público seja mais bem aproveitado. Também vamos diminuir
a quantidade de cargos comissionados na Prefeitura, e vamos aproveitar
os servidores de cargo de carreira. Vamos aproveitar também
a mão-de-obra qualificada que tem dentro da Universidade.
JM: O senhor propôs aos demais candidatos a realização
de debate em praças públicas. O que o PSOL pretende
com isso?
Sandro Pimentel: O PSOL pretende abrir espaços democráticos
para que a população vote consciente, que vote sabendo
que aquele candidato ou candidata é o melhor para Natal com
a sua consciência, sem ser comprado, sem ser trocado por objetos,
sem ser levado pelas grande mídias, pelas grandes estruturas.
Queremos abrir espaço para aquele candidato que tenha coragem
de encarar o eleitor em praça pública. Convidamos
todos os partidos, e até agora seis candidatos na confirmaram
que estarão presentes no primeiro debate que será
realizado no próximo sábado, pela manhã, na
Praça Gentil Ferreira, no Alecrim. Se ninguém estiver
lá, eu estarei lá apresentando as suas propostas para
Natal. Quem não for não tem compromissos com o eleitor
de Natal. Esses debates serão contínuos, pretendemos
rodar todas as praças de Natal.
JM: Você se sente preparado para assumir a Prefeitura de Natal?
Sandro Pimentel: Com muita humildade não sei de tudo e nem
sou dono da verdade, todo dia eu aprendo uma coisa nova. Tem propostas
e conhecimento para todos os temas e problemas que envolvem Natal.
JM: Nas pesquisas eleitorais o seu nome aparece com menos de 1%
das intenções. Como você recebe esses resultados?
Sandro Pimentel: Eu recebo esses resultados com muita naturalidade,
não fico triste. A pesquisa representa um universo muito
pequeno em relação aos quatrocentos mil eleitores,
além disso, nas ruas, durante a campanha eu não sinto
isso. Em 2006, eu aparecia nas pesquisas em quatro, quinto, sexto
ou último, no fim terminei as eleições em terceiro
colocado.
JM: Você acredita que a população vai conseguir
absolver as suas propostas?
Sandro Pimentel: Vai conseguir sim. Como eu disse, acredito que
quando começarem os programas eleitorais gratuitos da televisão
e do rádio e os debates entre os candidatos, a população
de Natal vai conseguir assimilar as propostas de nossa candidatura.
JM: Num eventual segundo turno em que seu nome não aparece
quem o PSOL apoiará?
Sandro Pimentel: Primeiro quero dizer que vamos estar no segundo
turno. Nós estamos lutando para isso, sem soberba, sem orgulho,
sem falsa modéstia. Esse é o nosso objetivo. Agora,
se nós não formos nenhum dos dois, faremos uma reunião
com a direção do partido, vamos ver quais são
os outros dois nomes, que são, e a depender quem são
vamos ver qual decisão tomar. Hoje, contamos que estaremos
lá. Em 2006, continuamos votando no 50, e dependendo de quem
estiver no segundo turno poderemos continuar votando no 50.
Qual será a marca da administração de Sandro
Pimentel, se eleito?
Sandro Pimentel: Transparência, lisura e democracia. A prefeitura
será um Sintest aumentado. Vai ser uma administração
direta com o povo.
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