
Operação arroubo
É
sintomático o posicionamento mais recente, nas entrevistas
aos meios de comunicação do RN, do delegado responsável
pelas investigações da chamada Operação
Impacto. Tal operação apura o envolvimento de vereadores
num esquema de recebimento de propina para votar a favor de emendas
no novo Plano Diretor da Cidade. Emendas que beneficiavam empreiteiras
locais e empresários do ramo imobiliário.
Esse posicionamento é sintomático porque hoje difere
frontalmente do posicionamento de meses atrás, quando, o
mesmo delegado, aparentemente em momentos de arroubos e impetuosidade
justiceira, falava no caso como se já tivesse certeza de
que todos os envolvidos eram culpados.
Ocorreram ações espetaculosas, como a invasão
a uma imobiliária, e a casas de envolvidos. No ápice
da questão, o presidente do inquérito chegou a declarar
que tinha informações que, quando resolvesse divulgar
no momento oportuno, os dados eram tão escandalosos que iriam
fazer “Natal explodir”.
O momento oportuno, o delegado chegou até a dizer qual era:
em trinta dias.
Os trinta dias se passaram e com eles mais trinta, mais trinta...
Até que o responsável pela apuração
decidiu: só falaria quando se encerrassem as investigações.
O episódio levantou uma nuvem de poeira em torno do caso,
colocando em dúvida até mesmo a materialidade das
investigações: existiria mesmo aquela nitroglicerina
tão pura que iria fazer a cidade explodir?
Após fazer suas conclusões, enviar o seu feito para
o MP, que por sua vez o encaminhou para a justiça, com a
tipificação de crimes e o pedido de condenação
dos réus, o que se pôde constar foi que Natal, a velha
Natal de guerra, não explodiu. Continua intacta.
Agora o delegado volta dar entrevistas nas quais se mostra mais
comedido, mais cauteloso. Uma atitude que parece demonstrar amadurecimento.
E amadurecimento pela prática. Ou não?
Resta agora saber se todos os envolvidos na Operação
Impacto realmente possuem igualmente tanta culpa como no início
se quis demonstrar. Ou se há variações de culpabilidade
e se alguém será verdadeiramente punido. Mas isso,
só o tempo, a isenção e o zelo profissional
da justiça, irá responder. Do contrário, poderemos
não ver condenação nenhuma e restar somente
as explosões desnecessárias de arroubos.
Duarte Guimarães - interino
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